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Artigos rápidos de preparação para o ENEM

Estrutura Interna da Terra e Modeladores do Relevo

No ENEM, relevo não é “lista de formas” para decorar. A prova quer que você entenda por que o relevo existe e muda. Para isso, ela cruza dois conjuntos de processos: os internos, ligados à energia do interior do planeta, e os externos, ligados ao clima, à água, ao vento e à ação humana. Quando você domina essa lógica, consegue interpretar mapas de placas tectônicas, fotos de montanhas e vales, e até gráficos de risco de desastres.

A estrutura interna da Terra é importante porque é dela que vem a movimentação das placas tectônicas. A Terra tem camadas com características diferentes, e essa diferença permite que partes mais rígidas “deslizem” sobre partes mais plásticas. O ENEM não cobra detalhes químicos, mas cobra a ideia de que existe uma camada externa rígida e um interior com dinâmica térmica, gerando movimentos e deformações na crosta.

Esses movimentos explicam fenômenos como terremotos e vulcões, que são evidências da atividade interna do planeta. Em geral, os terremotos e vulcões se concentram em bordas de placas, onde há choque, afastamento ou deslizamento lateral. Por isso, quando a questão traz um mapa com linhas de placas e pontos de sismos, a conclusão esperada é que a distribuição não é aleatória: ela segue a lógica tectônica.

Diagrama básico (forças internas → formas do relevo): calor interno → movimento de placas → dobramentos/falhas → terremotos e vulcões → formação de cadeias montanhosas e bacias

Para acertar, você precisa reconhecer os três tipos principais de limites de placas. Em limites convergentes, placas colidem e podem formar montanhas (dobramentos) ou zonas de subducção, onde uma placa mergulha sob outra, gerando vulcanismo e terremotos fortes. Em limites divergentes, placas se afastam e o magma sobe, formando novas crostas e cadeias submarinas. Em limites transformantes, placas deslizam lado a lado, gerando terremotos, geralmente sem vulcões associados.

O ENEM adora a relação “tipo de limite → tipo de risco”. Convergente costuma aparecer com vulcões e grandes terremotos; transformante com terremotos; divergente com vulcanismo em dorsais oceânicas. Se o enunciado citar “Círculo de Fogo do Pacífico”, quase sempre está apontando para subducção e alta atividade vulcânica e sísmica.

Mesmo que o Brasil não esteja em bordas de placa, a prova pode usar isso para comparar riscos. Aqui, o mais comum é aparecer que o país tem baixa ocorrência de terremotos intensos e vulcões ativos, mas isso não significa ausência de riscos geológicos, porque existem processos externos muito relevantes, como erosão, deslizamentos e enchentes, além de sismos intraplaca de menor magnitude em algumas áreas.

Mapa mental de risco no ENEM

  • bordas de placas → sismos/vulcões
  •  áreas de encosta e ocupação irregular → deslizamentos
  • planícies de inundação e impermeabilização → enchentes

Os processos externos são chamados de modeladores do relevo porque “esculpem” as formas criadas ou elevadas pelos processos internos. A erosão é o exemplo mais cobrado: ela desgasta e transporta materiais, atuando com água (chuvas, rios, mar), vento e gelo. A intensidade da erosão depende do clima, do tipo de solo/rocha, da declividade e do uso do solo. Um mesmo relevo pode ser muito alterado se houver desmatamento, agricultura mal manejada ou urbanização sem planejamento.

O ENEM costuma trazer situações em que erosão vira problema social, como assoreamento de rios, perda de fertilidade do solo e aumento de enchentes. É importante perceber a cadeia: quando a vegetação é removida, o solo fica exposto; a chuva aumenta o escoamento; isso intensifica ravinas e voçorocas; sedimentos chegam aos rios; o leito assoreia; a água transborda com mais facilidade. Em questões, a alternativa correta geralmente descreve essa relação entre ambiente e ocupação humana.

Outro conceito que aparece é o de intemperismo, que é a “quebra” e transformação das rochas, preparando material para a erosão transportar. Intemperismo pode ser físico (fragmentação por variação de temperatura, gelo, ação mecânica) ou químico (dissolução e reações, muito comum em climas quentes e úmidos). O ENEM gosta desse contraste: em climas úmidos, a química atua mais; em climas secos ou frios, a fragmentação física pode ser mais marcante.

Processos externos em sequência (diagrama): intemperismo (desagrega) → erosão (remove) → transporte (leva) → sedimentação (deposita) → novas formas de relevo

Formação do relevo, então, é resultado do “jogo” entre forças que elevam e deformam (internas) e forças que desgastam e depositam (externas). Montanhas, por exemplo, podem surgir por dobramentos e falhas, mas com o tempo são rebaixadas pela erosão. Planícies podem se formar por deposição de sedimentos trazidos por rios. O ENEM adora essa visão de equilíbrio dinâmico: o relevo está sempre mudando, só que em ritmos diferentes.

Na prova, a melhor estratégia é identificar qual processo o enunciado está destacando. Se aparecer vulcão e terremoto, pense em tectônica. Se aparecer ravinas, assoreamento e rios barrentos, pense em erosão ligada ao uso do solo. Se aparecer areia avançando ou dunas, pense em vento. Se aparecer falésias e recuo de costa, pense em ação marinha. E se a pergunta pedir “medida”, a resposta costuma envolver planejamento, preservação de vegetação, manejo do solo e evitar ocupação de risco.

Checklist final (ENEM)

  • o fenômeno ocorre em borda de placa? (tectônica)
  •  há água, vento ou gelo atuando? (erosão e transporte)
  •  o texto menciona desmatamento/ocupação? (ação humana intensificando processos)

SIMULADO ENEM

Questão 1: Placas tectônicas e distribuição de terremotos

Mapas globais mostram que a maior parte dos terremotos ocorre em faixas estreitas que coincidem com limites de placas tectônicas. Essa distribuição se explica principalmente porque:

A) os terremotos são causados apenas por tempestades e variações climáticas.

B) as bordas das placas concentram tensões que, ao serem liberadas, geram abalos sísmicos.

C) os terremotos são mais frequentes em regiões de baixa altitude, independentemente da geologia.

D) a atividade sísmica depende exclusivamente da distância ao oceano.

E) as áreas internas das placas acumulam mais energia do que as bordas, por serem mais antigas.

Gabarito: B.

Comentário de resolução: Os terremotos estão ligados à liberação de tensões geradas pelo movimento relativo das placas. Por isso se concentram em limites convergentes, divergentes e transformantes, e não por fatores climáticos.

Questão 2: Vulcanismo e zonas de subducção

Em determinadas regiões do planeta, a ocorrência de vulcões ativos está associada à colisão entre placas, quando uma delas mergulha sob a outra. Esse processo é conhecido como subducção e tende a formar:

A) áreas estáveis sem atividade sísmica, pois a crosta fica mais rígida.

B) cadeias montanhosas, fossas oceânicas e intenso vulcanismo, com terremotos frequentes.

C) apenas planícies sedimentares, por deposição exclusiva de materiais fluviais.

D) desertos, devido à redução automática de chuvas pela presença de magma.

E) vales glaciais, pois o calor interno resfria a superfície nessas zonas.

Gabarito: B.

Comentário de resolução: A subducção gera fossas oceânicas, intensa atividade sísmica e vulcânica e pode contribuir para formação de relevo elevado. Isso aparece em regiões como o Círculo de Fogo do Pacífico.

Questão 3: Erosão, uso do solo e assoreamento

Em uma área rural, a retirada de vegetação em encostas foi seguida por aumento de enxurradas, formação de sulcos no solo e maior turbidez dos rios após chuvas. Esse conjunto de fenômenos indica:

A) redução da erosão, pois o solo exposto facilita a infiltração da água.

B) intensificação da erosão hídrica, com transporte de sedimentos e assoreamento dos cursos d’água.

C) estabilização das encostas, pois a ausência de raízes diminui a instabilidade do terreno.

D) formação de relevo apenas por tectonismo, sem participação de processos externos.

E) diminuição do escoamento superficial, já que a água não encontra obstáculos para penetrar no solo.

Gabarito: B.

Comentário de resolução: Sem vegetação, aumenta o escoamento superficial e o solo fica mais vulnerável, gerando erosão e levando sedimentos aos rios, o que eleva turbidez e pode causar assoreamento.

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