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Artigos rápidos de preparação para o ENEM

Questões Ambientais Contemporâneas: Mudança Climática e Efeito Estufa (ENEM)

A mudança climática é um dos temas mais frequentes e “multidisciplinares” do ENEM, porque permite ligar ciência, geografia, economia e política internacional. Em geral, a prova não quer que você decore siglas: ela quer que você entenda o mecanismo do efeito estufa, diferencie clima de tempo e interprete consequências sociais, como riscos, desigualdades e conflitos por recursos.

O ponto de partida é compreender o efeito estufa como um fenômeno natural e necessário. Sem ele, a Terra seria fria demais para manter a vida como conhecemos. O problema aparece quando atividades humanas aumentam a concentração de gases que retêm calor na atmosfera, intensificando esse efeito e elevando a temperatura média do planeta.

Esse aumento está ligado principalmente à queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás), ao desmatamento e a certas práticas agropecuárias e industriais. Assim, quando o ENEM fala em aquecimento global, ele está falando do aquecimento associado, em grande parte, a escolhas de produção e consumo, e não de um “ciclo natural inevitável”.

Diagrama do efeito estufa (jeito ENEM): radiação solar entra → parte é refletida → parte aquece a superfície → a Terra emite calor (infravermelho) → gases do efeito estufa retêm parte desse calor → temperatura média sobe quando esses gases aumentam

Para não cair em pegadinha, separe bem “tempo” e “clima”. Tempo é o estado momentâneo da atmosfera (chuva hoje, frio amanhã). Clima é o comportamento médio ao longo de muitos anos. Mudança climática, portanto, não é “um dia frio”: é alteração de padrões de longo prazo, como frequência de ondas de calor, secas e chuvas extremas.

O ENEM também gosta de cobrar quais gases são mais importantes e de onde eles vêm. O dióxido de carbono (CO₂) aparece muito por causa dos fósseis e do desmatamento; o metano (CH₄) se destaca em atividades agropecuárias e resíduos; e o óxido nitroso (N₂O) tem relação com fertilizantes e processos industriais. A prova não exige química avançada, mas cobra a ideia de que diferentes setores emitem de formas diferentes.

Quando você lê um texto sobre “emissões”, “matriz energética”, “desmatamento” ou “agropecuária”, a questão quase sempre quer uma relação causal simples: mais emissões ou menos remoção de carbono → maior concentração de gases → maior retenção de calor → mais aquecimento → mais eventos extremos e impactos sociais.

Três palavras que destravam a questão

  • causa (emissões/desmatamento)
  • mecanismo (efeito estufa intensificado)
  •  consequência (extremos, risco, desigualdade)

Os impactos das mudanças climáticas são cobrados como efeitos em cadeia, não como um único problema. O aumento de temperatura altera evaporação, regime de chuvas e disponibilidade de água; isso afeta agricultura, geração hidrelétrica, saúde e preços de alimentos. Em áreas urbanas, ondas de calor e enchentes se tornam mais perigosas, especialmente onde há pouca infraestrutura e alta vulnerabilidade social.

No Brasil, o ENEM costuma aproximar o tema de biomas, água e energia. Desmatamento e queimadas entram como fatores que liberam carbono e reduzem a capacidade de remoção de CO₂, além de mudar o ciclo hidrológico regional. Por isso, o assunto não é só “ambiental”: é também econômico e territorial, porque mexe com produção, logística, abastecimento e risco climático.

Outro conceito que aparece é o de retroalimentação (feedback). Alguns processos ampliam o aquecimento, como a perda de vegetação (menos evapotranspiração e menos armazenamento de carbono) e o aumento de incêndios em períodos mais secos. A banca gosta dessa ideia porque ela explica por que atrasar ações pode piorar o problema e encarecer soluções.

Impactos mais cobrados pelo ENEM

  • mais secas e crises hídricas
  •  chuvas extremas e enchentes
  •  ondas de calor e saúde pública
  •  perdas agrícolas e alta de preços
  • risco para infraestrutura e energia

Para responder bem, é essencial diferenciar mitigação e adaptação. Mitigação é reduzir as causas do aquecimento (cortar emissões, ampliar eficiência, substituir fósseis por fontes menos emissoras, conter desmatamento, recuperar vegetação). Adaptação é reduzir danos e vulnerabilidades (alerta de desastres, infraestrutura de drenagem, planejamento urbano, agricultura mais resiliente, proteção de mananciais). O ENEM costuma testar se você escolhe a medida certa para o problema certo.

Aí entram as políticas e acordos internacionais, como o Protocolo de Kyoto e as COPs. Kyoto foi um marco por estabelecer metas de redução para países desenvolvidos (em lógica de responsabilidades diferenciadas), enquanto as COPs são as conferências em que os países negociam caminhos, metas e mecanismos de cooperação climática. O mais importante para a prova é entender que clima é um problema global com respostas que envolvem governança, financiamento, tecnologia e monitoramento.

Quando o enunciado cita COP, ele geralmente quer que você perceba dois pontos: primeiro, que o problema ultrapassa fronteiras e exige coordenação; segundo, que há disputa entre interesses econômicos, responsabilidades históricas e capacidade de investimento. Em linguagem ENEM: não basta “querer”, é preciso política pública, regulação e pactos.

  • Linha do tempo para memorizar: UNFCCC (base das negociações) → Protocolo de Kyoto (metas para desenvolvidos) → COPs (negociação contínua de compromissos, financiamento e regras)

O formato de cobrança mais comum é gráfico, charge ou texto curto. Pode aparecer uma curva de CO₂, uma comparação entre matrizes energéticas, um mapa de risco climático, ou um trecho sobre desmatamento e emissões. A alternativa correta costuma ser a que faz a ponte entre mecanismo físico (efeito estufa) e impacto socioeconômico (risco, desigualdade, política pública).

Cuidado com duas armadilhas clássicas. A primeira é confundir “buraco na camada de ozônio” com “efeito estufa”: são problemas diferentes, apesar de ambos envolverem atmosfera. A segunda é tratar um evento isolado (uma frente fria, uma chuva forte) como “prova” de que não existe aquecimento global; o ENEM cobra tendência de longo prazo e mudança de padrões.

Na hora de resolver, use um ritual simples: identifique o setor (energia, agro, desmatamento, cidade), associe ao tipo de emissão ou alteração ambiental e ligue ao efeito climático e social. Se a questão pedir solução, escolha a que combina medida com escala e com governança (planejamento, fiscalização, investimento).

  • Checklist de resolução (bem rápido): é clima (tendência) ou tempo (evento)?

    o texto fala de causa (emissão/desmate) ou efeito (seca/enchente/calor)?

    a resposta propõe mitigação ou adaptação coerente com o problema?

SIMULADO ENEM

Questão 1: Efeito estufa natural x intensificado

O efeito estufa é um fenômeno natural importante para a manutenção da vida na Terra. Nas últimas décadas, no entanto, houve aumento na concentração de gases que retêm calor na atmosfera, associado a atividades humanas. A consequência mais diretamente relacionada a essa intensificação é:

A) Redução permanente da temperatura média global devido ao aumento de reflexão da radiação solar.

B) Aumento da retenção de calor na atmosfera e elevação da temperatura média, com maior frequência de extremos climáticos.

C) Eliminação do ciclo hidrológico, tornando impossível a formação de nuvens e precipitações.

D) Desaparecimento imediato das estações do ano, substituídas por um único padrão climático uniforme.

E) Aumento do buraco na camada de ozônio como principal causa direta do aquecimento global.

Gabarito: B.

Comentário de resolução: A intensificação do efeito estufa aumenta a retenção de calor, elevando a temperatura média e alterando padrões climáticos, o que favorece extremos (ondas de calor, secas e chuvas intensas). A alternativa E mistura temas diferentes (ozônio e aquecimento global), uma pegadinha comum.

Questão 2: Mitigação x adaptação

Uma cidade vem registrando enchentes mais frequentes associadas a chuvas intensas, além de ter grande área impermeabilizada e ocupação de várzeas. Considerando mudanças climáticas e gestão urbana, a medida mais alinhada à adaptação é:

A) Substituir combustíveis fósseis por energia solar em escala global, reduzindo emissões ao longo de décadas.

B) Criar sistemas de alerta, ampliar drenagem urbana e recuperar áreas de várzea e margens de rios para reduzir risco de alagamento.

C) Aumentar a extração de petróleo para financiar obras futuras, priorizando crescimento econômico imediato.

D) Incentivar apenas campanhas de conscientização individual, sem intervenções de infraestrutura e planejamento territorial.

E) Expandir a ocupação urbana em áreas de mananciais para aproximar moradia e água, reduzindo custos de captação.

Gabarito: B.

Comentário de resolução: A questão pede adaptação, isto é, reduzir vulnerabilidade e danos diante de eventos extremos. Drenagem, alerta e recuperação de várzeas são medidas diretas e locais. A alternativa A é mitigação (importante, mas não é o foco da pergunta).

Questão 3: Kyoto, COP e governança climática

Acordos internacionais sobre clima, como o Protocolo de Kyoto, e as negociações realizadas em COPs refletem a necessidade de coordenação global para enfrentar mudanças climáticas. Esse tipo de governança internacional se justifica principalmente porque:

A) Os impactos climáticos e as emissões se limitam às fronteiras nacionais, exigindo soluções apenas locais.

B) As mudanças climáticas resultam apenas de fenômenos naturais, tornando acordos internacionais desnecessários.

C) O problema envolve emissões e impactos transfronteiriços, exigindo metas, financiamento e cooperação entre países com capacidades diferentes.

D) A transição energética dispensa políticas públicas, pois o mercado resolve automaticamente emissões e desigualdades.

E) A única estratégia eficaz é interromper toda atividade econômica, o que pode ser decidido por um país isoladamente.

Gabarito: C.

Comentário de resolução: Emissões e clima não respeitam fronteiras, então a resposta precisa envolver cooperação, metas e instrumentos internacionais, além do reconhecimento de capacidades e responsabilidades diferentes entre países.

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