O ENEM trata sustentabilidade como um conceito histórico e político, não como uma “opinião bonita”. A ideia central é que desenvolvimento não pode ser medido só por crescimento econômico no curto prazo, porque a sociedade depende de recursos naturais, serviços ecossistêmicos e condições sociais mínimas para se manter. Quando a prova pede sustentabilidade, ela normalmente quer que você identifique equilíbrio entre dimensões ambiental, social e econômica e reconheça que esse equilíbrio exige planejamento, regras e escolhas públicas.
A sustentabilidade nasce de um contexto de crise: crescimento industrial acelerado, urbanização intensa e aumento do consumo no século XX, acompanhados por poluição, degradação de ecossistemas e desigualdade. A partir daí, o debate internacional começa a questionar a ideia de que o planeta suportaria um modelo de produção ilimitado. No ENEM, aparece muito a noção de “limites” e a crítica ao padrão de consumo e ao desperdício.
Com o tempo, o conceito evoluiu para o termo mais cobrado: desenvolvimento sustentável, que é a tentativa de conciliar qualidade de vida, justiça social e preservação ambiental com crescimento econômico. A prova gosta de mostrar que não se trata de “parar o progresso”, mas de mudar o tipo de progresso.
Tríade do desenvolvimento sustentável (diagrama): ambiente (limites e conservação) ↔ sociedade (equidade e direitos) ↔ economia (produção e renda) → sustentabilidade quando as três dimensões são consideradas juntas
Um marco clássico para entender essa evolução é o fortalecimento da pauta ambiental em organismos internacionais e em conferências globais. O ENEM frequentemente usa esse assunto para avaliar se você compreende que sustentabilidade é construída por debates e acordos, e que ela envolve interesses conflitantes: governos, empresas, comunidades e movimentos sociais nem sempre querem as mesmas coisas. Assim, quando a questão menciona “acordos”, “metas” ou “conferência”, ela geralmente está testando governança e responsabilidade coletiva.
Um passo importante foi transformar a sustentabilidade em agenda prática, com planos e diretrizes para governos e sociedade. É aqui que entra a Agenda 21, associada ao esforço de orientar ações locais e nacionais para reduzir impactos ambientais e promover desenvolvimento com inclusão. Na lógica do ENEM, Agenda 21 costuma aparecer como exemplo de planejamento, participação social e integração entre políticas públicas (saneamento, energia, mobilidade, educação ambiental e gestão do território).
A prova também relaciona sustentabilidade a decisões do cotidiano urbano e rural. Por exemplo, saneamento básico não é apenas saúde pública: é preservação de rios e redução de poluição. Mobilidade urbana não é apenas transporte: é energia, emissões e qualidade de vida. Agricultura não é só produção: é solo, água, biodiversidade e segurança alimentar. Sustentabilidade, no ENEM, é esse “jeito de pensar junto”.
Como o ENEM encaixa sustentabilidade em temas diferentes: – cidade (saneamento, mobilidade, resíduos)
– campo (solo, água, agrotóxicos, conservação)
– indústria (energia, poluição, ecoeficiência)
– consumo (desperdício, reciclagem, ciclo de vida)
Nos anos mais recentes, o debate incorporou expressões como economia verde e ecoeficiência. A economia verde é um conjunto de propostas que busca crescimento com menor impacto ambiental, investindo em tecnologias limpas, energias renováveis, proteção de ecossistemas e redução de emissões. O ENEM costuma cobrar a economia verde como estratégia de transição: ela tenta compatibilizar desenvolvimento e preservação, mas pode gerar discussões sobre desigualdade, “greenwashing” e quem paga o custo da mudança.
Já a ecoeficiência é uma ideia bem “de prova”: produzir mais (ou melhor) usando menos recursos e gerando menos resíduos e poluição. Isso aparece em questões sobre redução de desperdício, reuso de água, eficiência energética, logística reversa e design de produtos que duram mais e geram menos lixo. A resposta correta, nessas situações, normalmente valoriza prevenção e redução na origem, e não só “limpar depois” o que já foi poluído.
Mas a evolução do conceito também trouxe disputas importantes. Em alguns contextos, sustentabilidade é usada como marketing, sem mudança real. Em outros, políticas ambientais são vistas como obstáculo econômico. O ENEM gosta de questões que exigem leitura crítica: reconhecer que sustentabilidade envolve custo e conflito, mas também reconhecer que ignorar o ambiente gera prejuízos enormes no futuro, como crise hídrica, eventos extremos, perda de produtividade agrícola e aumento de doenças.
Para resolver questões, a regra mais segura é olhar o que o enunciado está pedindo: ele quer um conceito (definição), um instrumento (planejamento, Agenda 21, políticas públicas) ou uma estratégia (ecoeficiência, economia verde)? Quando a pergunta pede “medida concreta”, escolha alternativas que combinem tecnologia + gestão + participação, e não soluções mágicas.
Roteiro de acerto (3 passos):
1 – identifique a dimensão principal (ambiental, social, econômica)
2 – veja se a proposta integra as outras dimensões ou ignora alguma
3 – prefira prevenção, planejamento e regulação a respostas “tudo ou nada”
SIMULADO ENEM
Questão 1: Sentido do desenvolvimento sustentável
Um município pretende atrair indústrias para aumentar empregos, mas enfrenta escassez hídrica e rios poluídos por falta de saneamento. Considerando o conceito de desenvolvimento sustentável, a medida mais coerente é:
A) Priorizar apenas o crescimento econômico, deixando a recuperação ambiental para um momento futuro indefinido.
B) Proibir toda atividade industrial, independentemente de tecnologias e planejamento, como única forma de preservar o ambiente.
C) Integrar expansão econômica com investimento em saneamento, proteção de mananciais e metas de redução de poluição.
D) Incentivar o consumo de água, pois a escassez é sempre resolvida por aumento natural das chuvas.
E) Substituir políticas públicas por decisões individuais, já que sustentabilidade não depende de planejamento coletivo.
Gabarito: C.
Comentário de resolução: O desenvolvimento sustentável exige conciliar economia, sociedade e ambiente. Investir em saneamento e proteger mananciais são ações estruturais que melhoram saúde pública, preservam recursos hídricos e permitem atividade econômica com menor impacto.
Questão 2: Agenda 21 como instrumento
A Agenda 21 é frequentemente associada a propostas de planejamento e participação para orientar ações em diferentes escalas (local e nacional), articulando políticas públicas e práticas sociais voltadas à sustentabilidade. Nesse contexto, a Agenda 21 se relaciona principalmente à:
A) eliminação do papel do Estado, transferindo toda responsabilidade ambiental ao consumidor.
B) defesa do crescimento ilimitado, sem considerar limites ecológicos.
C) construção de estratégias integradas de gestão ambiental, desenvolvimento e inclusão social.
D) substituição do saneamento por soluções privadas, sem regulação pública.
E) ideia de que problemas ambientais são exclusivamente naturais e independem de decisões humanas.
Gabarito: C.
Comentário de resolução: A Agenda 21 é um marco de planejamento para ações sustentáveis, com integração de políticas e participação. A alternativa C expressa exatamente essa lógica; as demais negam limites, governança ou responsabilidade social.
Questão 3: Ecoeficiência e economia verde
Uma empresa redesenhou seus processos para reduzir consumo de energia e água, reaproveitar resíduos e diminuir emissões, mantendo a produção. Essa iniciativa está mais diretamente associada ao princípio de:
A) ecoeficiência, ao produzir com menos recursos e menor geração de impactos.
B) crescimento ilimitado, ao priorizar aumento de produção sem controle de impactos.
C) compensação simbólica, ao substituir mudanças reais por campanhas de marketing.
D) extrativismo predatório, ao maximizar uso de recursos sem preocupação ambiental.
E) neutralização automática, ao eliminar impactos sem necessidade de tecnologia e gestão.
Gabarito: A.
Comentário de resolução: O enunciado descreve redução de insumos, reuso e diminuição de emissões sem abandonar a produção, que é a definição prática de ecoeficiência, muito cobrada no ENEM.

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