No ENEM, “vegetação” não é só decorar nomes de biomas. A prova cobra a lógica: a vegetação é resultado de clima, relevo, solos e água, e ao mesmo tempo influencia esses elementos. Por isso, quando você entende os domínios da vegetação, você consegue interpretar mapas de biomas, textos sobre desmatamento, gráficos de uso do solo e questões sobre biodiversidade e serviços ecossistêmicos.
Um conceito-chave é “domínio” ou “bioma”. Em termos simples, bioma é um grande conjunto de ecossistemas com clima, vegetação e fauna predominantes, formando uma paisagem típica. No Brasil, falar em biomas brasileiros é falar também em história de ocupação: alguns biomas foram mais preservados, outros foram muito fragmentados por agricultura, urbanização e infraestrutura. O ENEM gosta de comparar esses biomas para discutir conservação, economia e desigualdade territorial.
A biodiversidade aparece como o grande argumento. Ela não é só “quantidade de espécies”: envolve variedade genética, de espécies e de ecossistemas. Quanto maior a biodiversidade, maior tende a ser a estabilidade ecológica e a oferta de serviços como polinização, regulação do clima local, proteção do solo e manutenção do ciclo da água.
Diagrama do ENEM (vegetação como sistema): clima e solo → tipo de vegetação → biodiversidade → serviços ecossistêmicos → impacto na vida humana (água, alimentos, clima, saúde)
Quando o ENEM traz o tema “vegetação no Brasil e no mundo”, geralmente quer que você reconheça padrões globais. Florestas tropicais úmidas se associam a calor e chuva abundante; desertos a ar seco e baixa precipitação; tundra a frio intenso e curta estação de crescimento. Essa leitura por clima é o que permite identificar por que biomas parecidos existem em continentes diferentes e por que mudanças climáticas podem alterar a distribuição de vegetação no planeta.
No Brasil, três biomas aparecem o tempo todo: Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado. Eles são cobrados tanto por suas características naturais quanto por sua história de transformação humana. A prova frequentemente usa o contraste entre “riqueza biológica” e “pressão econômica”, pedindo que você perceba como o uso do solo, o desmatamento e a fragmentação afetam a biodiversidade e o ciclo da água.
A Amazônia é associada a floresta equatorial, alta umidade e grande biomassa. O ENEM costuma relacioná-la ao ciclo da água e ao clima: a floresta ajuda a manter umidade e chuvas, além de armazenar carbono. Quando o enunciado fala em grande evapotranspiração, rios volumosos e floresta densa, está apontando para esse domínio. O debate de prova, quase sempre, é: preservar não é apenas “salvar árvores”; é manter funções ecológicas que influenciam água, clima e economia.
A Mata Atlântica aparece como bioma de alta biodiversidade, mas muito fragmentado. Ela se concentra em áreas litorâneas e regiões com grande ocupação histórica, urbanização e industrialização. Por isso, o ENEM cobra Mata Atlântica como exemplo de pressão humana antiga e intensa: restaram fragmentos, e a conservação depende de corredores ecológicos, unidades de conservação e recuperação de áreas degradadas.
- Comparação curta (para memorizar): Amazônia → grande continuidade florestal e papel climático
Mata Atlântica → alta biodiversidade + alta fragmentação histórica
Cerrado → savana brasileira e “caixa d’água” por nascentes e aquíferos
O Cerrado é uma savana tropical com vegetação adaptada a estação seca e a solos, em muitas áreas, mais pobres e ácidos. O ENEM cobra muito o Cerrado por dois motivos: primeiro, porque é um hotspot de biodiversidade, com muitas espécies endêmicas; segundo, porque é estratégico para a água, já que abriga nascentes e áreas de recarga de importantes bacias hidrográficas. Quando a questão fala em expansão agropecuária, fronteira agrícola e impacto em nascentes, o Cerrado costuma estar no centro do raciocínio.
A noção de “domínios no mundo” também aparece quando a prova fala de florestas temperadas, taiga, savanas africanas e tundra. Aqui, o ENEM não quer nomes exóticos: quer que você associe vegetação a clima e latitude. Florestas temperadas têm estações bem marcadas; taiga é floresta boreal associada a frio; tundra é vegetação baixa em regiões polares. Isso ajuda a resolver questões com mapas de zonas climáticas e distribuição de biomas.
Um tema transversal é a transformação dos biomas brasileiros. Desmatamento e fragmentação reduzem habitats, diminuem populações de espécies e quebram conexões ecológicas. Mesmo quando “sobram árvores”, o ecossistema pode perder parte de sua funcionalidade. O ENEM cobra isso com frequência: fragmentos isolados aumentam o efeito de borda, facilitam invasões biológicas e reduzem a diversidade.
Em questões de conservação, a alternativa correta costuma falar de preservação e uso sustentável juntos. Isso envolve proteger áreas sensíveis, recuperar vegetação em margens de rios, planejar o território e reduzir pressões predatórias. Se o enunciado mencionar “biodiversidade” e “serviços ecossistêmicos”, a resposta geralmente reforça que a proteção do bioma garante água, clima e equilíbrio ecológico, com benefícios sociais.
Checklist para identificar o bioma no enunciado:
- muita chuva + floresta densa + rios volumosos → Amazônia
- litoral + ocupação antiga + fragmentação → Mata Atlântica
- estação seca + savana + nascentes → Cerrado
SIMULADO ENEM
Questão 1: Bioma, clima e paisagem
Uma área apresenta altas temperaturas, grande umidade e chuvas bem distribuídas ao longo do ano, com cobertura vegetal densa e elevada biomassa. Esse conjunto de características está mais associado ao domínio da:
A) tundra.
B) taiga.
C) floresta tropical úmida, como a Amazônia.
D) estepe.
E) vegetação desértica.
Gabarito: C.
Comentário de resolução: O enunciado descreve exatamente o padrão de floresta tropical úmida: calor + muita chuva + floresta densa. Tundra e taiga são frias; deserto e estepe têm baixa umidade.
Questão 2: Mata Atlântica e fragmentação
A Mata Atlântica é frequentemente citada como um dos biomas mais biodiversos do país, mas também como um dos mais fragmentados, devido à ocupação histórica, urbanização e expansão econômica. A fragmentação tende a provocar:
A) aumento automático de biodiversidade, pois fragmentos criam mais habitats sem perda ecológica.
B) redução de conectividade ecológica e maior vulnerabilidade de espécies, inclusive pelo efeito de borda.
C) estabilização completa do ecossistema, tornando desnecessárias políticas de conservação.
D) aumento permanente das chuvas, pois áreas urbanas substituem a floresta com maior evapotranspiração.
E) eliminação do risco de extinção local, já que fragmentos isolados garantem populações grandes.
Gabarito: B.
Comentário de resolução: Fragmentação reduz conexão entre populações, aumenta isolamento, efeito de borda e perda de habitat, elevando risco de diminuição de espécies e extinções locais.
Questão 3: Cerrado, água e pressão do uso do solo
O Cerrado tem sido destacado como bioma estratégico para os recursos hídricos do Brasil, pois abriga nascentes e áreas de recarga relacionadas a importantes bacias hidrográficas. A intensificação do uso do solo nesse bioma pode comprometer a disponibilidade de água principalmente por:
A) aumentar a proteção do solo, elevando infiltração e reduzindo erosão em qualquer cenário.
B) reduzir a recarga e aumentar escoamento e assoreamento, especialmente quando há retirada de vegetação e manejo inadequado.
C) eliminar a necessidade de conservação, pois biomas savânicos não influenciam ciclos hidrológicos.
D) impedir completamente a formação de rios, pois a água passa a evaporar antes de infiltrar.
E) aumentar a biodiversidade aquática por introdução de espécies invasoras, estabilizando as bacias.
Gabarito: B.
Comentário de resolução: Retirar vegetação e alterar o solo pode reduzir infiltração e recarga, aumentar escoamento, erosão e assoreamento, afetando vazões e qualidade da água. O Cerrado é cobrado como bioma-chave para nascentes e “segurança hídrica”.

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