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Artigos rápidos de preparação para o ENEM

Recursos Hídricos: Bacias Hidrográficas e Aproveitamento (ENEM)

Recursos hídricos são todas as formas de água disponíveis para uso humano e para a manutenção dos ecossistemas. No ENEM, a água aparece como tema “ponte” entre natureza e sociedade: ela é ao mesmo tempo condição de vida, base da economia (agricultura, indústria, energia) e fonte de conflitos, especialmente quando há escassez, poluição ou má distribuição.

Para entender a lógica do tema, a chave é pensar em bacias hidrográficas. Uma bacia é a área drenada por um rio principal e seus afluentes, limitada por divisores de água (as partes mais altas do relevo). Isso significa que o que acontece “lá em cima” (desmatamento, agricultura, cidade, mineração) repercute “lá embaixo” (qualidade da água, assoreamento, enchentes, disponibilidade).

No Brasil, falar em bacias é falar de território e desigualdade. Há regiões com muita água e baixa densidade populacional e outras com alta demanda e maior risco de crise. Além disso, a forma como ocupamos o solo e produzimos no campo e na cidade altera o ciclo da água, afetando recarga de aquíferos, vazões dos rios e ocorrência de eventos extremos.

Três ideias que o ENEM cobra sempre

  • bacia hidrográfica é unidade de gestão
  •  uso do solo muda a quantidade e a qualidade da água
  • disputa por água envolve economia, política e justiça social

Bacias brasileiras e usos da água: abastecimento, produção e ecossistemas

Quando a prova menciona “bacias brasileiras”, geralmente quer que você identifique funções e pressões. Abastecimento urbano depende de mananciais protegidos; agricultura demanda irrigação; indústria precisa de água para processos e resfriamento; e os ecossistemas precisam de vazão mínima e qualidade para se manterem. É comum o ENEM trazer mapas, gráficos de consumo por setor e textos sobre conflitos entre irrigação, abastecimento e geração de energia.

As hidrelétricas aparecem como forma de aproveitamento energético de rios, muito relevante na matriz elétrica brasileira. O ponto não é decorar usinas, e sim compreender a lógica: hidrelétrica depende de vazão e desnível, exige barragens e reservatórios e altera o rio. Isso gera benefícios (energia relativamente barata e com baixa emissão direta na geração) e custos (alagamento, deslocamentos, mudanças na fauna, interrupção de sedimentos, impactos em pesca e modos de vida).

Já a “crise da água” no ENEM costuma ser explicada por um conjunto de fatores, e não por um único culpado. Eventos de seca e variabilidade climática contam, mas a prova insiste em causas humanas: desperdício, falta de investimento em infraestrutura, desmatamento de áreas de recarga, ocupação irregular, poluição e gestão fraca. O aluno que acerta é o que mostra visão sistêmica, conectando clima, território e políticas públicas.

Mini-diagrama de causa e efeito (ENEM): menos vegetação e solo exposto → mais escoamento e erosão → assoreamento → menor capacidade do rio/reservatório → piora do abastecimento e maior risco de crise

Gestão ambiental da água: como evitar conflito e colapso

Gestão ambiental é o conjunto de regras e ações para garantir água em quantidade e qualidade, hoje e no futuro. O ENEM costuma tratar a bacia hidrográfica como “unidade de planejamento”, porque ela permite organizar responsabilidades e entender impactos acumulados. Na prática, gestão envolve monitoramento, metas de qualidade, controle de captações, proteção de mananciais, saneamento e recomposição de vegetação em áreas sensíveis, como margens de rios e nascentes.

Um ponto muito cobrado é que a poluição “rouba água” tanto quanto a escassez. Quando um rio é contaminado por esgoto sem tratamento, resíduos industriais ou agrotóxicos, a água até existe, mas não serve para consumo sem alto custo de tratamento. Em questões com textos sobre saneamento, a alternativa correta geralmente aponta que investir em coleta e tratamento de esgoto é medida central de saúde pública e de preservação ambiental.

O ENEM também liga água a risco urbano. Impermeabilização do solo e ocupação de várzeas aumentam enchentes e reduzem infiltração; ao mesmo tempo, a falta de áreas verdes e de drenagem eficiente piora a resposta das cidades a chuvas intensas. Assim, gestão hídrica não é só “no campo” ou “no rio”: inclui planejamento urbano, drenagem, parques, proteção de encostas e recuperação de matas ciliares.

Checklist de leitura de enunciado

  • o texto fala de qualidade da água? (poluição/saneamento)
  •  fala de quantidade? (seca, reservatório, captação, irrigação)
  •  fala de território? (bacia, manancial, ocupação do solo, urbanização)

Como o ENEM transforma isso em questão

A prova gosta de colocar uma situação realista: uma bacia com múltiplos usos, uma cidade crescendo, uma área agrícola irrigada e um reservatório de hidrelétrica. A pergunta, muitas vezes, é “qual medida resolve melhor” ou “qual relação explica o problema”. Para acertar, você precisa identificar o motor do processo (uso do solo, poluição, clima, gestão) e escolher a alternativa que propõe solução coerente com a escala do problema, sem “milagres”.

Outra armadilha típica é cair em explicações simplistas: “faltou chuva, então é só azar”. O ENEM prefere respostas que reconhecem a chuva como parte da história, mas destacam gestão, infraestrutura e preservação como fatores controláveis. Em resumo, o que vale pontos é mostrar que água envolve governança: decisão pública, fiscalização, investimento e participação social.

Também aparece muito a ideia de “segurança hídrica”, que é a capacidade de garantir abastecimento e reduzir riscos (crise, enchentes, contaminação). Segurança hídrica depende de conservação ambiental, saneamento e planejamento do território.

Diagrama final para memorizar: bacia bem protegida (vegetação + saneamento + controle de uso) → água com melhor qualidade e vazão mais estável → menos crise e menos conflito

SIMULADO ENEM

1 – Em uma bacia hidrográfica, a remoção de vegetação nativa nas áreas mais altas foi seguida por aumento de erosão e assoreamento do rio principal, reduzindo a capacidade de um reservatório utilizado para abastecimento e geração de energia. A relação mais adequada entre causa e efeito é:

A) A retirada da vegetação aumenta a proteção do solo, reduzindo a chegada de sedimentos ao rio.

B) A supressão vegetal reduz a infiltração e favorece escoamento superficial, intensificando erosão e transporte de sedimentos.

C) O desmatamento diminui o escoamento superficial e amplia a recarga, elevando a vida útil do reservatório.

D) O assoreamento aumenta o volume útil do reservatório e melhora a segurança hídrica.

E) A erosão é independente do uso do solo e ocorre apenas por variações naturais do relevo.

Gabarito: B

Comentário de resolução: Vegetação protege o solo e ajuda na infiltração. Sem cobertura vegetal, cresce o escoamento superficial, aumenta a erosão e os sedimentos chegam ao rio, assoreando o reservatório e reduzindo sua capacidade.

2 – Em uma região metropolitana, a oferta de água é suficiente em anos comuns, mas episódios recentes de crise foram associados a perdas na rede de distribuição, baixa cobertura de tratamento de esgoto e ocupação desordenada de áreas de mananciais. A medida mais coerente para enfrentar o problema, de forma estrutural, é:

A) ampliar a captação sem reduzir perdas e sem controlar a poluição dos mananciais.

B) concentrar ações apenas em campanhas de economia, sem investimentos em infraestrutura.

C) integrar redução de perdas, saneamento e proteção de mananciais na escala da bacia hidrográfica.

D) substituir integralmente o abastecimento por água engarrafada como política pública.

E) aumentar o consumo industrial para estimular investimentos privados automáticos no sistema.

Gabarito: C

Comentário de resolução: A crise não é só “falta de chuva”: perdas, saneamento e proteção de mananciais atacam causas estruturais e exigem gestão integrada por bacias, exatamente a lógica que o ENEM valoriza.

3 – A implantação de hidrelétricas em rios de grande porte amplia a oferta de energia, mas pode alterar o regime do rio e impactar populações ribeirinhas e ecossistemas. Essa situação expressa:

A) um processo sem impactos ambientais, pois a água é um recurso renovável.

B) a inexistência de trade-offs, já que benefícios e custos são sempre equivalentes.

C) a necessidade de políticas energéticas que considerem impactos territoriais e gestão ambiental da bacia.

D) a substituição imediata de todas as demais fontes, eliminando conflitos de uso da água.

E) a garantia de redução de enchentes em toda a bacia, independentemente do planejamento urbano.

Gabarito: C

Comentário de resolução: O ENEM cobra a visão de planejamento e governança: hidrelétricas têm benefícios, mas exigem avaliação, mitigação e gestão territorial na bacia para reduzir impactos e conflitos.

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