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Artigos rápidos de preparação para o ENEM

Relação Ser Humano–Natureza e Impactos Ambientais no Brasil

No ENEM, “meio ambiente” não aparece como um tema isolado: ele é cobrado como uma relação histórica e geográfica entre sociedade, economia e natureza. A prova quer que você entenda como as escolhas de produção, consumo, energia, ocupação do território e políticas públicas geram impactos ambientais e, ao mesmo tempo, como esses impactos retornam para a sociedade em forma de risco, prejuízos econômicos, doenças, conflitos e desigualdades. Por isso, estudar a relação ser humano–natureza no Brasil exige olhar para o espaço: biomas, cidades, campo, fronteiras agrícolas, mineração, indústria, água e clima.

Uma ideia central ajuda muito: recursos naturais não são “dádivas infinitas”. Eles são parte de sistemas ecológicos com limites. Quando a sociedade usa recursos acima da capacidade de regeneração ou altera o funcionamento dos ecossistemas, surgem problemas como desmatamento, erosão, assoreamento, perda de biodiversidade, eventos extremos e crise hídrica. O ENEM costuma transformar isso em textos curtos, gráficos e mapas que pedem interpretação e ligação entre causa e consequência.

Recursos naturais podem ser renováveis ou não renováveis, mas essa classificação não significa “sempre seguro”. Água e florestas, por exemplo, são renováveis, porém podem entrar em colapso local quando há uso excessivo, poluição e destruição de áreas de recarga e proteção. Já minérios e combustíveis fósseis são não renováveis: uma vez extraídos, não voltam na escala de tempo humana. Em questões do ENEM, é comum aparecer a ideia de “racionalidade econômica de curto prazo” versus “sustentabilidade de longo prazo”. A alternativa correta costuma ser a que reconhece limites ecológicos e a necessidade de gestão.

No Brasil, o desmatamento é um dos temas mais recorrentes. A prova pode tratar o desmatamento como supressão de vegetação nativa para ampliar atividades econômicas, mas também cobra seus efeitos em cadeia. Desmatar não é só “tirar árvores”: é alterar o ciclo da água, o microclima, a proteção do solo e a biodiversidade. Sem cobertura vegetal, o solo fica mais exposto à chuva, ocorre aumento do escoamento superficial, maior erosão e assoreamento de rios, o que reduz qualidade e disponibilidade de água. Além disso, quando a vegetação é removida, há perda de habitat e redução de espécies, o que fragiliza serviços ecossistêmicos essenciais, como polinização e controle biológico de pragas.

A sustentabilidade, no ENEM, costuma ser cobrada como equilíbrio entre três dimensões: ambiental, social e econômica. Não basta “crescer”; é preciso considerar quem se beneficia, quem paga o custo e se o sistema se mantém no tempo. Isso aparece muito em debates sobre energia, transporte, saneamento e uso do solo. Um exemplo típico: uma atividade pode gerar emprego e renda, mas se destruir nascentes, contaminar rios e expulsar populações locais, ela cria um saldo social e ambiental negativo. A prova tende a premiar respostas que enxergam trade-offs e defendem planejamento, fiscalização e tecnologias menos impactantes.

A relação ser humano–natureza também aparece no ENEM por meio de conflitos e desigualdades ambientais. Nem todo mundo sofre do mesmo jeito com poluição, enchentes, deslizamentos ou falta de água. Em muitas cidades, populações de menor renda acabam vivendo em áreas de risco por falta de alternativas habitacionais, o que transforma problemas ambientais em problemas de justiça social. Da mesma forma, em áreas rurais, a disputa por terra e água pode envolver produtores, comunidades tradicionais e grandes empreendimentos, com impactos na preservação ambiental e no modo de vida de grupos locais. Quando a questão fala de “vulnerabilidade”, “risco” e “populações expostas”, a leitura correta é que o ambiente e o social caminham juntos.

Outro ponto muito cobrado é a preservação ambiental e suas ferramentas. O ENEM geralmente não exige decorar leis, mas espera que você reconheça o papel de áreas protegidas, fiscalização, recuperação de áreas degradadas e planejamento territorial. Preservar não significa “proibir tudo”, e sim ordenar o uso do território para evitar danos irreversíveis e garantir recursos para o futuro. Uma pista comum é quando o enunciado contrasta “uso predatório” com “uso sustentável”. A alternativa correta costuma mencionar manejo, recomposição vegetal, proteção de nascentes, controle da poluição e responsabilidade compartilhada entre Estado, empresas e sociedade.

Para estudar esse tema do jeito certo para Ciências Humanas, treine sempre a mesma lógica: identifique a atividade humana (expansão agrícola, mineração, urbanização, indústria, obras), localize o espaço (bioma, bacia hidrográfica, cidade, encosta), reconheça o impacto direto (desmatamento, poluição, impermeabilização do solo, emissão) e conecte ao impacto indireto (enchentes, assoreamento, perda de biodiversidade, crise hídrica, doenças, desigualdade). O ENEM raramente cobra um impacto “sozinho”; ele cobra a relação entre processos.

SIMULADO ENEM

1- Em determinadas regiões brasileiras, a remoção de vegetação nativa em larga escala tem sido associada ao aumento de erosão do solo e ao assoreamento de rios, afetando a qualidade da água e a disponibilidade hídrica.

A explicação mais adequada para esse encadeamento de efeitos é:

A) A retirada da cobertura vegetal intensifica a infiltração da água no solo, reduzindo o transporte de sedimentos para os rios.

B) A supressão da vegetação diminui a proteção do solo, aumenta o escoamento superficial e favorece o transporte de partículas para os cursos d’água.

C) O desmatamento reduz a exposição do solo à chuva, evitando processos erosivos e estabilizando margens fluviais.

D) A remoção vegetal interrompe o ciclo hidrológico, eliminando completamente a formação de chuvas nas áreas urbanas.

E) A perda de vegetação aumenta a biodiversidade local, fortalecendo a capacidade do ecossistema de filtrar sedimentos.

Gabarito: B.

Comentário de resolução: A vegetação funciona como proteção física do solo e favorece a infiltração. Quando ela é retirada, aumenta o escoamento superficial, a erosão e o transporte de sedimentos, que se acumulam no leito dos rios, caracterizando o assoreamento. As alternativas A e C invertem a lógica. D exagera e generaliza. E contradiz o efeito do desmatamento sobre biodiversidade.

2- Em um município, áreas de várzea foram ocupadas sem planejamento, com impermeabilização do solo e redução de áreas verdes. Após chuvas intensas, houve aumento de alagamentos, principalmente em bairros de menor renda.

Esse caso evidencia:

A) A neutralidade ambiental do crescimento urbano, já que a tecnologia elimina riscos naturais.

B) A relação entre urbanização, alterações no ciclo da água e desigualdade na exposição a riscos ambientais.

C) A diminuição do risco de enchentes, pois o asfalto acelera o escoamento e impede a acumulação de água.

D) A substituição do problema de alagamentos por secas permanentes, sem relação com o uso do solo.

E) A eliminação de impactos ambientais quando há ocupação de áreas de várzea, por serem naturalmente preparadas para cidades.

Gabarito: B.

Comentário de resolução: Impermeabilização aumenta escoamento e reduz infiltração, enquanto ocupar várzea amplia vulnerabilidade. O enunciado destaca também desigualdade, pois os impactos se concentram em bairros mais pobres, o que é típico de “injustiça ambiental”. As demais alternativas negam o papel do uso do solo e do planejamento.

3 – O debate sobre sustentabilidade em políticas públicas envolve conciliar crescimento econômico, bem-estar social e proteção do meio ambiente, especialmente em projetos que usam recursos naturais.

Uma ação mais coerente com esse princípio é:

A) Expandir atividades econômicas sem avaliação de impactos, pois a recuperação ambiental ocorre automaticamente com o tempo.

B) Priorizar apenas o aumento do PIB, mesmo que isso implique perda permanente de biodiversidade e contaminação de mananciais.

C) Implementar planejamento territorial e controle da poluição, combinando uso racional de recursos com proteção de áreas sensíveis.

D) Reduzir totalmente a produção e o consumo, independentemente das condições sociais, como única solução ambiental.

E) Substituir a fiscalização ambiental por acordos informais, já que o mercado regula sozinho o uso dos recursos.

Gabarito: C.

Comentário de resolução: Sustentabilidade exige conciliação entre dimensões ambiental, social e econômica, com planejamento, prevenção e mitigação de impactos. A alternativa C é a única que descreve instrumentos concretos compatíveis com preservação ambiental e continuidade do uso de recursos. A e E ignoram governança. B assume dano irreversível como aceitável. D é uma solução extrema e socialmente impraticável.

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