Quando o ENEM fala em globalização, quase nunca é “só comércio internacional”. A prova costuma ligar globalização a internet, tecnologia da informação, comunicação global e economia digital, mostrando como as telecomunicações mudaram o ritmo do mundo, o trabalho e até a política. A ideia central é simples: quanto mais rápida e barata é a circulação de informação, mais integradas (e também mais desiguais) ficam as relações econômicas e sociais.
1) Globalização: integração, mas não igualdade
Globalização é o aumento das conexões entre países, empresas e pessoas em escala mundial. Ela envolve:
- fluxos (capitais, mercadorias, pessoas, dados, imagens, ideias);
- redes (cadeias produtivas, plataformas digitais, sistemas financeiros);
- dependências (tecnologia, infraestrutura, dados, propriedade intelectual).
Ponto ENEM: globalização não elimina fronteiras; ela reorganiza fronteiras e poderes. Quem controla redes, padrões tecnológicos e dados costuma ter mais influência.
2) Telecomunicações e internet: a “infraestrutura invisível” da comunicação global
As novas tecnologias (fibra óptica, satélites, 4G/5G, data centers, cabos submarinos) criaram uma base material para a comunicação global. A internet não é “nuvem”: ela depende de infraestrutura, empresas e regras.
O que muda com a tecnologia da informação?
- Tempo: mensagens, transações e decisões em “tempo real”.
- Espaço: trabalho remoto, serviços digitais, consumo por plataforma.
- Organização econômica: produção em redes globais (cadeias de valor), logística integrada, gestão por dados.
Pista ENEM: quando aparecer mapa de cabos, gráficos de conectividade, ou textos sobre “rede” e “fluxos”, a questão geralmente quer que você associe telecom + globalização.
3) Economia digital: dados, plataformas e novos mercados
A economia digital é a parte do sistema econômico baseada em informação, conectividade e plataformas. Exemplos típicos:
- e-commerce e pagamentos digitais;
- publicidade orientada por dados;
- streaming e economia de atenção;
- serviços por aplicativo e “plataformização” do trabalho;
- IA, computação em nuvem e análise de big data.
Ideia-chave para prova
Na economia digital, dados viram ativo econômico. Quem controla, tende a concentrar poder e renda:
- infraestrutura (nuvem, data centers),
- plataformas (marketplaces, redes sociais),
- algoritmos (recomendação, ranqueamento),
4) Impactos sociais e políticos: inclusão, vigilância e desinformação
O ENEM gosta de cobrar “lados” da tecnologia, sem romantizar.
Impactos positivos
- acesso rápido a informação e serviços;
- novas oportunidades de estudo e trabalho;
- redes de mobilização e participação pública.
Tensões e riscos
- exclusão digital: falta de acesso, aparelho, sinal e letramento digital;
- precarização do trabalho: informalidade mediada por apps, metas algorítmicas;
- vigilância e privacidade: coleta massiva de dados;
- desinformação: circulação veloz de boatos e manipulação.
Pista ENEM: se o texto menciona “algoritmos”, “bolhas”, “controle de dados”, “fake news”, “monitoramento”, a resposta correta costuma envolver poder, desigualdade e governança.
5) O que o ENEM costuma pedir (jeito rápido de identificar)
- Globalização como rede de fluxos (capitais, dados, mercadorias).
- Tecnologia da informação como aceleradora de processos econômicos e sociais.
- Comunicação global como fator de integração cultural, mas com assimetrias.
- Economia digital concentrando poder em plataformas e infraestrutura.
- Contradições: inclusão vs exclusão; inovação vs precarização; informação vs desinformação.
SIMULADO ENEM
Questão 1
A expansão da internet e das redes móveis ampliou a integração entre mercados e acelerou a circulação de informações. Esse processo contribuiu para a reorganização de empresas em cadeias globais, com gestão em tempo real e serviços digitais.
O fenômeno descrito está mais associado à
A) redução dos fluxos financeiros internacionais e retorno do protecionismo generalizado.
B) substituição da indústria por agricultura de subsistência como base econômica mundial.
C) intensificação da globalização por meio da tecnologia da informação e das redes.
D) eliminação das desigualdades regionais por acesso uniforme à conectividade.
E) enfraquecimento das plataformas digitais e queda do comércio eletrônico.
Gabarito: C.
Comentário: o enunciado liga conectividade, tempo real e cadeias globais, que são marcas da globalização impulsionada por tecnologia da informação e comunicação global.
Questão 2
Na economia digital, plataformas conectam consumidores e trabalhadores, controlando regras de acesso, reputação e distribuição de demanda por meio de algoritmos. Em muitos casos, a remuneração e a visibilidade do trabalhador dependem dessas decisões automatizadas.
Esse cenário evidencia
A) fortalecimento universal do emprego formal com estabilidade e carreira longa.
B) neutralidade tecnológica, sem impactos sociais no mercado de trabalho.
C) novas formas de controle e precarização associadas à plataformização do trabalho.
D) desaparecimento do setor de serviços devido à automação completa.
E) redução do uso de dados como elemento econômico.
Gabarito: C.
Comentário: o ENEM costuma explorar como a economia digital pode reorganizar o mercado de trabalho, criando dependência de plataformas e metas algorítmicas.
Questão 3
A desigualdade no acesso à conectividade de qualidade e ao letramento digital limita a participação de parte da população em serviços públicos digitais, educação online e oportunidades de emprego.
O problema descrito corresponde à
A) exclusão digital, que aprofunda desigualdades sociais e territoriais.
B) integração plena proporcionada pela globalização, sem barreiras.
C) extinção dos meios de comunicação de massa tradicionais.
D) substituição completa da economia digital pela industrialização clássica.
E) redução do papel da internet na comunicação global.
Gabarito: A.
Comentário: a questão descreve diretamente exclusão digital, um tema recorrente quando a prova relaciona internet e desigualdade.

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