A evolução dos modelos atômicos representa um importante capítulo da história da Ciência, especialmente quando falamos em Química e Física. Para a prova de Ciências da Natureza do ENEM, compreender como os modelos atômicos se desenvolveram ao longo do tempo é essencial, pois esses conceitos explicam inúmeros fenômenos e reações químicas. Neste artigo, vamos explorar de maneira didática e simplificada os principais modelos atômicos – Dalton, Thomson, Rutherford e Bohr – destacando suas características, pontos fortes e limitações.
Modelo de Dalton (Bola Maciça)
No começo do século XIX, John Dalton propôs a primeira teoria atômica moderna. Com base em experimentos envolvendo leis ponderais (Lei de Proust e Lei de Lavoisier), ele afirmou que cada elemento químico seria composto de átomos individuais e indivisíveis, todos com a mesma massa e propriedades. Essa ideia ajudava a explicar por que as substâncias químicas se combinavam em proporções definidas de massa.
Segundo Dalton, o átomo seria uma esfera maciça, como uma bola de bilhar, sem qualquer espaço interno ou carga elétrica. Cada tipo de átomo correspondia a um elemento químico, caracterizado por sua massa. Quando ocorriam reações químicas, esses átomos se rearranjavam, dando origem a novas substâncias. Esse modelo, embora simples, foi uma grande inovação, pois estabeleceu a existência real dos átomos como unidades fundamentais da matéria.
Modelo de Thomson (Pudim de Passas)
No final do século XIX, o físico Joseph John Thomson descobriu a partícula negativa chamada elétron, ao estudar descargas elétricas em tubos de raios catódicos. Essa descoberta abalou a ideia de Dalton de que o átomo seria indivisível.
Para acomodar os elétrons dentro do átomo, Thomson propôs o modelo do “pudim de passas”: imagine uma massa positiva (a “parte do pudim”) na qual os elétrons (“as passas”) estão incrustados. Nesse modelo, o átomo era uma esfera carregada positivamente, com partículas negativas espalhadas uniformemente. Essa concepção explicava o balanceamento de cargas elétricas: o átomo, como um todo, seria neutro, pois as cargas negativas dos elétrons se contrabalançariam com a carga positiva distribuída no resto da esfera.
O modelo de Thomson foi o primeiro a sugerir que o átomo não era indivisível e possuía partes internas (elétrons). Porém, ele não esclarecia onde se concentrava a maior parte da massa nem explicava a localização exata das cargas positivas e negativas.
Modelo de Rutherford (Modelo Nuclear)
Ernest Rutherford, no início do século XX, conduziu um experimento icônico no qual bombardeou uma fina lâmina de ouro com partículas alfa (carregadas positivamente). Observou que a maioria dessas partículas passava praticamente sem desvio, mas algumas eram desviadas em ângulos grandes e poucas até ricocheteavam de volta. Isso sugeriu que o átomo fosse majoritariamente espaço vazio, com uma região minúscula e muito densa no centro: o núcleo atômico, carregado positivamente.
Com base nessas observações, Rutherford propôs que os elétrons orbitam ao redor de um núcleo pequeno e maciço, onde se concentram as cargas positivas (prótons) e praticamente toda a massa atômica. Ele comparou essa estrutura ao “modelo planetário”: assim como os planetas giram em órbita ao redor do Sol, os elétrons orbitariam o núcleo. Esse insight foi revolucionário e descartou totalmente o “pudim de passas” de Thomson, pois colocava a maior parte da massa em um núcleo central. Entretanto, o modelo de Rutherford levantava uma questão: por que os elétrons, sendo partículas carregadas em movimento, não perderiam energia e colapsariam em direção ao núcleo, de acordo com previsões da Física clássica? Esse enigma abriu caminho para Bohr solucionar parte do problema.
Modelo de Bohr (Modelo Planetário Quantizado)
Niels Bohr, em 1913, aperfeiçoou o modelo de Rutherford ao aplicar conceitos da Física Quântica nascente. Ele propôs que os elétrons não poderiam ocupar qualquer órbita, mas apenas órbitas específicas, associadas a níveis de energia quantizados. Dessa forma, enquanto o elétron estivesse em uma dessas órbitas permitidas, não emitiria energia, e, portanto, não cairia no núcleo.
No modelo de Bohr, cada órbita ou nível de energia é representado por “camadas eletrônicas” (número quântico principal). Quando um elétron recebe energia suficiente (por exemplo, na forma de radiação eletromagnética), ele pode saltar para uma órbita mais externa, estado conhecido como “excitado”. Ao retornar a uma órbita mais interna, o elétron emite energia na forma de fótons. Esse modelo explicava muito bem o espectro de emissão do átomo de hidrogênio, validando empiricamente a ideia de níveis de energia quantizados.
Porém, o modelo de Bohr ainda se mostraria incompleto para átomos polieletrônicos (com mais de um elétron). Mais tarde, a Mecânica Quântica refinou essa teoria, introduzindo orbitais eletrônicos, subníveis de energia e uma visão probabilística da localização dos elétrons. Para fins de ENEM, porém, compreender o modelo planetário quantizado de Bohr é suficiente para resolver a maioria das questões sobre evolução dos modelos atômicos.
Comparação dos Modelos
• Dalton: Esfera maciça, indivisível, sem carga elétrica.
• Thomson: Descoberta do elétron, átomo como uma “massa positiva” com elétrons incrustados, neutro no conjunto.
• Rutherford: Descoberta do núcleo positivo, elétrons girando ao redor do núcleo, átomo majoritariamente espaço vazio.
• Bohr: Níveis discretos de energia para os elétrons, explicando a estabilidade atômica e o espectro do hidrogênio.
Importância para o ENEM
Questões relacionadas aos modelos atômicos no ENEM geralmente pedem a identificação de características de cada modelo, relacionando-as a descobertas experimentais (descarga em tubos, espalhamento de partículas alfa etc.). Também podem pedir para associar o modelo atômico certo a uma descrição histórica (por exemplo, “pudim de passas” para Thomson) ou solicitar explicações sobre como cada modelo interpretava a estrutura do átomo.
A compreensão dessa evolução teórica é fundamental para estudos de Química, pois afeta a maneira como entendemos reações, estruturas moleculares, periodicidade na Tabela Periódica e propriedades de elementos e substâncias.
Dicas para o ENEM
1. Conecte modelos a experimentos: Thomson -> raios catódicos, Rutherford -> espalhamento de partículas alfa, Bohr -> espectros de emissão do hidrogênio.
2. Memorize nomes e analogias: “Bola maciça” (Dalton), “Pudim de passas” (Thomson), “Modelo nuclear” (Rutherford), “Modelo planetário quantizado” (Bohr).
3. Entenda a evolução: Cada modelo surgiu após experimentos que não podiam ser explicados pelo modelo anterior.
4. Questões envolvendo energia, fótons e espectro: Provavelmente se referem ao modelo de Bohr.
5. Fique atento à Tabela Periódica: Apesar de a tabela ser organizada principalmente por número atômico, sua lógica está amparada no entendimento moderno de camadas e subníveis eletrônicos (descendentes do modelo de Bohr e da Mecânica Quântica).
Conclusão
Os modelos atômicos de Dalton, Thomson, Rutherford e Bohr representam marcos na construção do conhecimento científico sobre a estrutura da matéria. Cada um deles contribuiu com experimentos e interpretações novas que forçaram a revisão de conceitos anteriores, mostrando como a ciência evolui a partir de observações, hipóteses e validações experimentais. Para o ENEM, compreender essa evolução histórica e saber diferenciar os principais conceitos de cada modelo é primordial para enfrentar questões sobre a natureza da matéria, reações químicas e fenômenos físicos associados aos átomos.
SIMULADO ENEM
Questão 1
Em uma aula de Química, o professor explica que o átomo apresenta um pequeno núcleo central carregado positivamente e que a maior parte do volume é espaço vazio, onde elétrons se movimentam. Esse modelo atômico baseia-se em experimentos de espalhamento de partículas alfa, conhecidos como experimento da lâmina de ouro. O cientista responsável por esse modelo foi:
a) John Dalton
b) Joseph John Thomson
c) Ernest Rutherford
d) Niels Bohr
Comentário de Resolução:
O enunciado descreve claramente o experimento de Rutherford e seu modelo atômico nuclear, no qual a maior parte do átomo é espaço vazio. Resposta correta: c)
Questão 2
Um estudante analisa a evolução dos modelos atômicos e conclui que houve momentos em que foi comprovada a existência de partículas negativas no átomo, o que contrariava a ideia de indivisibilidade. Esse momento foi quando surgiram as evidências dos elétrons a partir de:
a) Experimentos com lâminas de ouro no início do século XX.
b) Propostas de Dalton ao estudar proporções definidas de massas.
c) Tubos de raios catódicos, que levaram Thomson a propor o modelo de “pudim de passas”.
d) Experimentos de Bohr medindo espectros de emissão atômica.
Comentário de Resolução:
A descoberta dos elétrons veio dos estudos de raios catódicos por J. J. Thomson, que resultou no modelo do “pudim de passas”. Resposta correta: c)
Questão 3
Considere um átomo descrito pelo modelo de Bohr. Quando o elétron desse átomo recebe energia suficiente, ele salta para um nível de energia mais externo (estado excitado). Ao retornar ao nível original, o elétron emite luz de cor específica. Essa cor caracterítica pode ser explicada porque:
a) Os elétrons são estáveis apenas em níveis energéticos contínuos e a transição entre níveis não libera energia.
b) A emissão de fótons ocorre quando o elétron volta a um nível de menor energia e a diferença de energia é convertida em radiação.
c) O núcleo atômico emite essa luz assim que captura o elétron.
d) O átomo fragmenta-se em núcleos menores, liberando luz no processo.
Comentário de Resolução:
O modelo de Bohr estabelece que elétrons em níveis quânticos emitem radiação ao voltarem para níveis de menor energia, liberando a diferença de energia na forma de fótons. Resposta correta: b)

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