ENEMPEDIA

Artigos rápidos de preparação para o ENEM

Formação Literária no Brasil: Do Romantismo à Atualidade

A formação literária no Brasil reflete a trajetória histórica, social e cultural do país. Da chegada dos colonizadores portugueses até os dias de atualidade, o desenvolvimento das letras brasileiras passou por diferentes fases, deixando marcas que ainda influenciam a forma como escrevemos e interpretamos textos. Para quem se prepara para a prova de Linguagens e Códigos do ENEM, é fundamental entender esse percurso, pois ele ajuda na análise de obras literárias e na elaboração de argumentos em redações.

Neste artigo, exploraremos as principais etapas dessa formação, com foco no Romantismo e em outros períodos literários que se estendem até a contemporaneidade. Apresentaremos também as influências e características de cada fase, relacionando-as com o contexto histórico. Ao final, proporemos 3 questões no estilo ENEM para testar seus conhecimentos sobre o tema.

1. Contexto Histórico: Da Colonização ao Século XIX

1.1. Primeiros Registros Escritos

A formação literária brasileira começa com os relatos de viajantes e crônicas de descobrimento, produzidos pelos colonizadores portugueses no século XVI. Exemplos incluem as cartas de Pero Vaz de Caminha, que descrevem o “novo mundo” para a Coroa Portuguesa. Nessa fase, o Brasil ainda não possuía uma identidade literária própria, pois a produção se limitava a documentos administrativos, sermões religiosos e descrições de paisagens.

1.2. Literatura Colonial

Entre os séculos XVII e XVIII, surgiram os primeiros escritores vinculados à vida cultural do Brasil Colônia. Destacam-se nomes como Gregório de Matos, cuja poesia reflexiva e satírica refletia a realidade da época, e Padre Antônio Vieira, com seus sermões que misturavam retórica religiosa e crítica social.

Embora a produção fosse diversa, ainda faltava uma autonomia literária. A influência de Portugal era marcante e o objetivo principal das obras era atender aos interesses religiosos e políticos da metrópole.

2. O Romantismo no Brasil: Independência e Identidade

2.1. Panorama Histórico

O Romantismo no Brasil emerge após a Independência (1822) e representa um momento decisivo na formação literária do país. Buscando consolidar uma identidade nacional, os escritores românticos voltam-se para temas como a natureza tropical, o índio como herói e o sentimento patriótico.

2.2. Características Principais do Romantismo Brasileiro

1. Nacionalismo: Valorização de temas e personagens ligados ao Brasil, como o indígena e as paisagens tropicais.

2. Sentimentalismo: Ênfase nas emoções, idealização do amor e do sofrimento amoroso.

3. Subjetividade: Foco no “eu” do poeta, com forte expressão de sentimentos pessoais.

4. Exaltação da Liberdade: Reflexo dos ideais iluministas e do recém-adquirido sentimento de independência.

2.3. Principais Autores e Fases

Gonçalves Dias (poesia indianista): Enalteceu o indígena, transformando-o em símbolo nacional.

José de Alencar (prosa): Autor de romances indianistas como “O Guarani” e “Iracema”.

Álvares de Azevedo (2ª Geração Romântica): Explorou temas sombrios, morte e pessimismo juvenil.

Fases do Romantismo Brasileiro

1. 1ª Geração (Indianista e Nacionalista): Construção da identidade nacional.

2. 2ª Geração (Ultrarromântica): Pessimismo, mal-do-século, individualismo.

3. 3ª Geração (Condoreira): Engajamento social, crítica à escravidão e às injustiças.

O Romantismo, portanto, foi uma etapa crucial na consolidação da literatura brasileira como expressão de uma nação independente e culturalmente distinta de Portugal.

3. Pós-Romantismo: Realismo, Naturalismo e Parnasianismo

3.1. Mudanças Sociais e Políticas

Na segunda metade do século XIX, o Brasil passa por transformações significativas: o debate sobre a escravidão se intensifica, ideias liberais se espalham e a sociedade urbana começa a se desenvolver. Esses fatores influenciaram novas correntes literárias, que buscavam representar a realidade de forma mais objetiva e crítica.

3.2. Realismo e Naturalismo

Realismo: Surge como oposição ao idealismo romântico, enfatizando a análise crítica das relações sociais e psicológicas. O maior expoente é Machado de Assis, autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Dom Casmurro”.

Naturalismo: Variante do Realismo que atribui maior importância ao determinismo biológico e social. Aluísio Azevedo, em “O Cortiço”, exemplifica a busca por retratar ambientes degradados e a influência do meio sobre o comportamento humano.

3.3. Parnasianismo

Paralelamente ao Realismo e Naturalismo na prosa, a poesia era dominada pelo Parnasianismo, que valorizava a forma estética, a correção gramatical e a objetividade. Seus principais representantes foram Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia. Esse movimento poético se opunha ao sentimentalismo romântico, buscando a “arte pela arte”.

4. O Modernismo e Suas Fases (Século XX)

4.1. Contexto Histórico

O início do século XX trouxe mudanças políticas (Proclamação da República, 1889), crescimento das cidades e industrialização. Em resposta aos novos tempos, surge o Modernismo, que rompe com as tradições estéticas e propõe uma literatura alinhada à modernidade. A Semana de Arte Moderna (1922) em São Paulo foi o marco simbólico dessa transformação.

4.2. Primeira Fase (1922-1930)

Ruptura e Vanguardas: Influência de movimentos europeus, como o Cubismo e o Futurismo.

Valorização da Liberdade Formal: Quebra de métrica e rima; adoção de versos livres.

Humor e Ironia: Critica a cultura conservadora e o nacionalismo ufanista.

Mário de Andrade e Oswald de Andrade foram nomes-chave, defendendo a “antropofagia cultural”, que propunha a apropriação crítica de influências estrangeiras.

4.3. Segunda Fase (1930-1945)

Neorrealismo e Regionalismo: Literatura voltada para questões sociais e regionais.

Engajamento Político: Temáticas ligadas à injustiça social, à vida no campo e aos problemas urbanos.

Grandes autores incluem Graciliano Ramos (“Vidas Secas”), Jorge Amado (“Capitães da Areia”) e Raquel de Queiroz (“O Quinze”).

4.4. Terceira Fase (1945-1960)

Intimismo e Existencialismo: Reflexões sobre a condição humana, subjetividade e angústia existencial.

Poesia Concreta: No final desse período, movimentos experimentais ganham força, explorando forma e visualidade.

Nomes como Clarice Lispector e João Cabral de Melo Neto representam a complexidade do pensamento literário na época.

5. Literatura Brasileira na Atualidade

5.1. Ditadura Militar e Pós-Ditadura

Entre as décadas de 1960 e 1980, o Brasil viveu sob regime militar. Muitos escritores foram censurados ou escreveram obras de resistência. Com a reabertura política, a literatura se diversificou ainda mais, refletindo questões urbanas, minorias e a ascensão de novas vozes.

5.2. Diversidade de Estilos

Atualmente, não há um movimento literário hegemônico. Autores exploram diferentes formatos, desde o romance policial até a fantasia e a literatura marginal. Alguns destaques são:

Milton Hatoum: Foco na região amazônica, questionando identidade e raízes culturais.

Conceição Evaristo: Representação da mulher negra e seus desafios.

Chico Buarque: Transitou entre música e literatura, abordando temas políticos e urbanos.

5.3. Influência das Novas Tecnologias

Com o avanço da internet, a produção literária também migrou para plataformas digitais, gerando novas possibilidades de publicação, leitura e interação com o público. Blogs, e-books e redes sociais tornam-se espaços alternativos para difusão da literatura brasileira.

6. Conexão com o ENEM

6.1. Interpretação de Textos

O ENEM valoriza a análise de fragmentos literários e sua relação com o contexto histórico e social. Saber identificar o movimento literário e seus traços estilísticos ajuda a compreender o texto.

6.2. Redação

Entender a formação literária do Brasil auxilia na construção de argumentos, repertório sociocultural e capacidade de relacionar temas contemporâneos com exemplos históricos.

6.3. Dicas Práticas

1. Leia Obras Clássicas: Familiarize-se com autores de cada período, pois fragmentos de suas obras podem aparecer na prova.

2. Observe Recursos Expressivos: Metáforas, ironias, regionalismos e outras figuras de linguagem.

3. Conexão com a Atualidade: Relacione temas literários do passado com problemas e discussões atuais.

Conclusão

A formação literária no Brasil, do Romantismo à atualidade, reflete a evolução histórica, cultural e social do país. Cada período literário — seja o Romantismo, o Realismo ou o Modernismo — influenciou a forma como autores abordam temas, constroem personagens e utilizam a língua portuguesa. Para o ENEM, compreender esses movimentos é fundamental para a análise de textos e para a elaboração de uma redação rica em repertório.

Lembre-se de que a literatura não é apenas um conjunto de obras do passado, mas um reflexo vivo das transformações sociais que o país vivencia. Ler, analisar e relacionar cada fase literária com o contexto histórico é uma estratégia eficaz para se destacar na prova de Linguagens e Códigos.

SIMULADO ENEM

Questão 1

Texto para a questão:

“Na obra ‘Iracema’, José de Alencar apresenta a personagem indígena como uma figura idealizada e heroica, simbolizando a construção de uma identidade genuinamente brasileira.”

A análise do texto indica que se trata de uma obra:

a) Realista, pois busca descrever objetivamente a sociedade brasileira.

b) Romântica, valorizando elementos nativos e o nacionalismo.

c) Naturalista, destacando o determinismo social.

d) Barroca, focada no contraste entre pecado e redenção.

e) Modernista, com linguagem coloquial e ruptura de padrões estéticos.

Resposta:

Alternativa b) Romântica, valorizando elementos nativos e o nacionalismo.

Comentário de Resolução:

“Iracema” é um clássico do Romantismo brasileiro, onde o indígena representa o herói nacional, enaltecendo traços considerados genuinamente brasileiros. O ideal de nacionalismo e o retrato idealizado do indígena são características marcantes desse movimento.

Questão 2

Leia o fragmento a seguir:

“Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos.”

Esse trecho, extraído de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, reflete traços do movimento literário:

a) Romântico, pela idealização do amor.

b) Arcádico, pela exaltação da natureza.

c) Realista, pela ironia e crítica social.

d) Paranasiano, pela preocupação com a forma.

e) Regionalista, por retratar costumes locais.

Resposta:

Alternativa c) Realista, pela ironia e crítica social.

Comentário de Resolução:

A frase evidencia o tom irônico e a análise crítica das relações humanas, características do Realismo em Machado de Assis. A menção ao valor financeiro (onze contos de réis) ironiza o caráter interesseiro dos sentimentos, reforçando a crítica à sociedade.

Questão 3

Sobre a formação literária brasileira do Romantismo à atualidade, analise as afirmativas:

I. O Romantismo brasileiro exaltou o indígena e o sentimento nacionalista, contribuindo para a construção de uma identidade nacional.

II. O Realismo se opôs ao subjetivismo romântico, enfatizando a análise psicológica e social dos personagens.

III. A literatura contemporânea brasileira é marcada por um único movimento hegemônico que mantém o mesmo estilo em todas as regiões do país.

Está(ão) correta(s) apenas:

a) I e II.

b) II e III.

c) I e III.

d) III, somente.

e) I, II e III.

Resposta:

Alternativa a) I e II.

Comentário de Resolução:

A afirmativa I é correta, pois o Romantismo brasileiro foi crucial na busca por uma identidade nacional. A II também está correta, caracterizando o Realismo como oposição ao ideal romântico. Já a III é falsa, pois a literatura contemporânea é diversa, sem um único movimento hegemônico.

Bons estudos e sucesso na sua preparação para o ENEM!

Deixe um comentário